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Depressão


Depressão

A depressão é muito frequente na sociedade atual tendo tendência a aumentar à medida que ela se vai tornando menos humana.
A depressão para caracteriza-se por um grande desinteresse pela vida, falta de vontade de viver, por vezes existem medos seja de enfrentar algo seja apenas medo de viver a vida ou alguma situação da vida.
Da mesma forma a pessoa sente-se incapaz de lidar com as coisas básicas do seu dia a dia.
A depressão pode igualmente resultar de uma desorientação da pessoa face a determinados objetivos caso ela sinta que lhe falta algo que lhe dê um motivo para viver.
A depressão pode levar ao suicídio ou a uma incapacidade de funcionar quer física quer mentalmente.
Esta situação (depressão) tanto pode acontecer na infância como na adolescência como na vida adulta ou mesmo após o parto.
Em qualquer das situações a pessoa com depressão sente-se, Incapaz de lidar  com algo, ou sente que não vale a pena viver ou lutar e isso leva-a a afastar-se de tudo e de todos podendo tentar ou consumar o suicídio.
É uma situação para a qual todos devíamos estar prevenidos pois pode acontecer com qualquer pessoa, podendo acontecer mesmo com alguém da nossa Família sem que tenhamos consciência desse fato.
Aliás, os sintomas da pessoa com depressão podem passar completamente despercebidos e só tomamos consciência da situação quando a pessoa comete alguma "asneira".
Depois é demasiado tarde.
Para evitar "asneiras" demasiado graves devemos agir quanto antes melhor, e para isso temos de estar precavidos acerca dos sintomas que são um sinal de depressão para que saibamos se nós ou alguém à nossa volta sofre de depressão.


Alguns dos sintomas são:
  •  Afastamento de amigos ou pessoas.

  • Falta de vontade de realizar uma determinada tarefa que progressivamente se alastra ou pode alastrar a muitas outras atividades.

  • Perda de vontade de fazer seja o que for. Desiste da vida e de lutar por ela e pelas coisas.

  • Cansaço ou falta de energia.

  • Vontade de ficar só. . Afasta-se de tudo e todos.

  • Não querer ouvir barulhos ou querer musica ou barulhos em altos berros (pois é uma forma de se alhear e afastar do que se passa à sua volta).

  • Abusar de medicamentos, álcool ou drogas. (Costumam ser meios para se afastar e alhear do que se passa à sua volta).  Medo de executar determinada tarefa; ou medo do que possa acontecer se falhar. Vive obcecada com a sua incapacidade ou com o que possa acontecer a outrem se ela falhar.

  • Vontade de chorar ou chorar às escondidas.

  •  Dores de cabeça, uma grande tensão ou desconforto a nível das costas, ombros ou cabeça ou pode mesmo ter dores ou desconfortos a nível lombar ou cintura.

  • Não se sente bem em lado nenhum.

  • Sente-se triste e abatida sem conseguir encontrar algo que a anime ou que lhe consiga despertar interesse.

  • Tem maus resultados escolares, incapacidade de se concentrar ou irrita-se facilmente.

  • Desleixa-se com o vestir ou com a sua apresentação. Isso deixou de lhe interessar.

Estes são alguns dos sintomas com que nos podemos deparar e para os quais devemos estar precavidos mas não quer dizer que por ter alguns deles a pessoa sofra de depressão. Existem também outros que não estão aqui. Aconselhe-se como seu médico ou especialista.
Na depressão bipolar, a pessoa passa por fases em que está "tudo bem" e fases em que se sente demasiado deprimida ou em baixo. Isto apenas indica que existe algo que está a activar estes estados de espirito que precisa de ser corrigido para que a pessoa passe para um estado normal ou pelo menos mais normal.
Na depressão pós-parto  os sintomas podem incluir um afastamento do bebé, um sintoma de não querer saber dele, um sintoma de incapacidade de tomar conta dele ou de cuidar dele, um pânico exagerado acerca do que possa acontecer ao bebé e outros sintomas tal como alguns dos acima descritos.

Tratamentos:


A situação corrente convencional para resolver a depressão, seja ela qual for, costuma ser:
  1. Antidepressivos
  2. Psicoterapia.

No entanto existem outras soluções (caso sejam indicadas) que serão dadas mais à frente.
Na primeira situação o médico pesa os prós e os contras da medicação pois a mesma não é isenta de riscos, e qual a mais indicada para a pessoa.
Como se sabe a medicação não cura a depressão (não resolve as causas) e como tal a pessoa muitas das vezes acaba por ficar com um problema crónico que dura o resto da vida, precisando de tomar medicação para equilibrar a química cerebral e dessa forma conseguir ter alguma qualidade de vida.
A complementar os anti depressivos ou em sua substituição caso a situação não seja grave pode-se procurar a ajuda de um naturopata, ou um homeopata, ou mesmo a experimentar os  Florais de Bach ou outros técnicos e técnicas pois estas ajudas estão normalmente isentas de contra indicações e são tão ou mais poderosas do que a medicação química. Não é sem razão que na Alemanha se usa a homeopatia e produtos naturais para tratar a depressão em maior numero do que os medicamentos químicos.
No entanto, só o seu médico pode aconselhar ou dar-lhe as melhores sugestões. Converse com ele pois muitos deles são receptivos a alternativas como complementos aos seus tratamentos.
Quanto à psicoterapia para a depressão; ela é boa mas mesmo assim deixa algumas questões sem respostas pois trabalha sobretudo a componente emocional mas não trabalha as carências nutricionais do corpo ou outras carências ou necessidades que o corpo ou pessoa possam ter. 
Por vezes existem problemas emocionais aos quais não é fácil chegar e as técnicas usadas por vezes não dão os melhores resultados apesar de todo o empenho do psicólogo e da pessoa.
Como se isto não bastasse, a psicoterapia leva tempo e numa pessoa deprimida a dificuldade é acrescida.

Muitas depressões têm como origem ou agravantes, condições físicas que precisam de ser corrigidas. E enquanto essas condições físicas não forem corrigidas, a pessoa não conseguirá ultrapassar a depressão

Para além das disfunções físicas que muitas vezes existem e que muitas vezes estão na origem da depressão, costumam existir também disfunções a nível do  sistema sacro craniano.
O  sistema sacro craniano (liquido céfalo raquidiano, meninges e suas ligações ao sacro e ao crânio) é um sistema fisiológico muitas vezes completamente ignorado pela comunidade médica mas que é o responsável pelo ambiente fisiológico no qual todo o sistema nervoso central vive, funciona e se desenvolve.
Disfunções (ou maus funcionamentos) no sistema sacro craniano alteram por completo o funcionamento do sistema nervoso e mesmo do próprio corpo, o que se traduz por muitas e variadas patologias.


A  depressão normalmente tem uma das seguintes causas:
  1. Causa emocional, ou
  2. Causa física, ou
  3. Causa física e emocional.
  4. Desarranjos Hormonais ou carências nutricionais. 
  5. Outras causas que têm de ser determinadas e corrigidas.
Contrariamente ao que é comum ouvir-se e dizer-se, muitas das vezes existem causas físicas para a depressão, quer essas causas estejam na origem da depressão quer estejam como agravantes da depressão.
As causas físicas podem advir de disfunções no corpo ou de disfunções do sistema sacro craniano.
Há que corrigir as disfunções quer do corpo quer do  sistema sacro craniano  se queremos que todo o corpo entre em sintonia e em harmonia.
A grande maioria das disfunções existentes a nível do corpo e do sistema sacro craniano não são detectáveis nos exames médicos que actualmente existem pelo que passam completamente despercebidas dos profissionais de saúde e dessa forma acabam por não serem tratadas.
Esta é também a razão deste importante sistema fisiológico ser muitas das vezes completamente ignorado pela comunidade médica.
De salientar que essas disfunções apenas são detectáveis e corrigidas por pessoas treinadas para o efeito.

No entanto existem técnicas, terapias e medicinas que permitem resolver muitos desses problemas físicos.
Algumas dessas técnicas existem na osteopatia, na quiroprática, na osteopatia craniana, na terapia sacro craniana , na liberdade mio fascial ou mesmo em outras.
Estas duas ultimas terapias são muito mais abrangentes e completas pois trabalham o sistema sacro craniano e também o corpo e como tal são mais eficazes para as depressões que têm origem ou uma forte componente física.
Uma coisa é certa, a depressão seja qual for a causa, altera o funcionamento do corpo e das suas glândulas endócrinas e estas alteram o funcionamento do corpo. Não interessa para aqui o quê ou quem altera o quê; o que interessa saber é que o funcionamento do corpo, do seu sistema imunitário, e das suas glândulas endócrinas está alterado, para além do seu sistema emocional.
Quem controla todo o corpo é o sistema nervoso central. É este que tem o funcionamento alterado e que não está a controlar convenientemente o resto do corpo seja isso devido a factores emocionais quer devido a condições físicas que o estejam a afectar.
Quanto às causas físicas (se existirem) que podem ser responsáveis por esta situação qualquer terapeuta Sacro Craniano ou qualquer terapeuta Mio Fascial deve ser capaz de verificar se elas existem ou não, e é capaz de as corrigir. (Mas tudo depende dos conhecimentos e experiência deles.)
No caso da depressão pós parto as alterações e disfunções no corpo e no sistema sacro craniano costumam ser as mais frequentes o que altera por completo todo o funcionamento do sistema nervoso, do sistema hormonal e do sistema emocional.

A Terapia sacro craniana (ou Crânio Sacral) e a Libertação Miofascial liberta as causas físicas, ajuda todo o sistema endócrino, melhora o funcionamento do sistema sacro craniano (o qual melhora o sistema nervoso central) libertando restrições e tensões no sistema sacro craniano, nas meninges e melhorando a drenagem e a circulação do liquido céfalo-raquidiano, liquido esse que banha, envolve e protege todo o sistema nervoso central melhorando assim a capacidade da pessoa relaxar e de equilibrar todo o seu sistema endócrino e hormonal o que pode ajudar bastante na situação, se for esse o caso.
A Libertação Mio Fascial faz tudo o que a terapia sacro craniana  faz e vai muito mais além, trabalhando todo o corpo e corrigindo aquilo que muitas das vezes está por detrás das alterações do sistema saco craniano e das muitas disfunções e maus funcionamentos que existem no corpo e no sistema sacro craniano.
A rapidez e a eficiência da Libertação Miofascial faz com que ela seja a terapia que mais uso uma vez que consegue resultados muitas vezes considerados impossíveis.
Com a ajuda da Libertação Somato Emocional o terapeuta Sacro Craniano ou o terapeuta Mio Fascial pode libertar muitas das emoções que estão presas no corpo e a agravarem a situação.
Claro que podem existir muitas outras técnicas, terapias ou medicinas que também podem dar uma boa ajuda e que devem ser usadas para que os resultados sejam rápidos e estáveis.
A solução passa sempre por determinar e corrigir as causas da depressão.
Muitas depressões podem ser eliminadas em muito pouco tempo quando se sabe o que fazer para detectar e o que fazer para corrigir as causas.
Uma vez as causas corrigidas o problema pura e simplesmente deixa de existir.
E hoje isso é simples e fácil de fazer e de conseguir.
No caso de crianças com depressão, eu começo pelos pais em primeiro.
Também no autismo, o tratamento deve sempre começar por os pais se submeterem a tratamento primeiro, para que fiquem mais relaxados e não transmitam o seu stress e tensões acumuladas ao longo dos anos aos seus filhos, impedindo-os dessa forma de fazerem os progressos que precisam.
No caso da Hiperatividade e mesmo da Dislexia ou de Problemas de Aprendizagem ou outros, quase sempre as crianças beneficiam imenso quando os seus pais recebem tratamento primeiro ou em simultâneo.


IMPORTANTE
  •  Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As
  •  informações disponíveis neste blog possuem apenas caráter educativo.



Fonte-http://jcsantiago.info


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Varizes


VARIZES




Varizes são veias dilatadas e deformadas, de coloração púrpuro-azulada, que surgem ao longo das pernas e podem causar dor e inchaço. Sua ocorrência é mais comum em pessoas que necessitam ficar em pé por longos períodos.
As veias das pernas, que reconduzem o sangue ao coração após ter irrigado os membros inferiores, possuem válvulas cuja finalidade é impedir o retorno do sangue aos pés pela ação da gravidade. Às vezes, essas válvulas não funcionam com eficiência e o sangue empoça nas veias provocando deformação, inchaço e alterações na sensibilidade da pele.
Nas mulheres, durante a menstruação e na gravidez, principalmente, os sintomas tendem a piorar. Episódios de maior gravidade podem ocorrer tanto por dilatação das veias profundas quanto das superficiais. Nesses casos de insuficiência venosa, podem surgir edema persistente nos pés, úlceras nas pernas e alterações na pigmentação da pele.
Atenção
Ferir uma veia com varizes pode provocar sangramento abundante. Nesse caso, deite-se imediatamente e eleve a perna ferida. Comprima o ferimento com uma toalha limpa até que o sangramento estanque. Em seguida, lave com água corrente e sabão e proteja a área com um curativo compressivo.
As varizes predispõem as pessoas à flebite, inflamação dolorosa das veias. Coágulos de sangue podem formar-se nas veias afetadas. Quando um deles se instala numa veia profunda, existe a possibilidade de que um fragmento se desprenda e, deslocando-se pela circulação venosa, alcance o pulmão. Na ocorrência de qualquer inflamação dolorida, acompanhada ou não de endurecimento da área, em uma ou em ambas as pernas, que não desapareça com sua elevação, não perca tempo e procure um médico imediatamente. Também no caso de dor intensa e contínua, um médico deverá ser procurado com rapidez.
Recomendações
Varizes não costumam provocar complicações mais graves. Nos casos mais sérios, entretanto, para evitar dores, inchaço e problemas de pele, alguns cuidados devem ser tomados:
Evite ficar de pé, parado na mesma posição, por muito tempo. Se for obrigado a fazê-lo, procure movimentar-se. Isso faz com que os músculos das pernas ajudem o sangue a circular;
Diversas vezes por dia, procure elevar as pernas acima do nível do coração por alguns minutos para facilitar o retorno do sangue para o centro do corpo;
Lembre-se de que é muito importante usar meias elásticas. Os resultados serão melhores ainda se você as calçar logo cedo, antes de levantar da cama;
Ande a pé. Caminhar é fundamental para prevenir varizes.
Tratamento
Varizes superficiais podem ser facilmente reconhecidas observando-se a pessoa em pé. O tratamento mais comum é a remoção cirúrgica das veias comprometidas. O cirurgião faz diversas incisões, retira as veias afetadas e protege a(s) perna(s) com bandagens. O procedimento cirúrgico é rápido, o tempo de hospitalização é curto e a recuperação em casa pode durar algumas semanas.

Nos casos de varizes superficiais, é possível injetar drogas para necrosar as veias a fim de que não mais conduzam sangue. Esse procedimento requer normalmente duas ou três aplicações, mas não é indicado para o tratamento de varizes maiores nem para aquelas localizadas em veias profundas.
Seja qual for o tratamento adotado, é recomendável caminhar diariamente para estimular a circulação do sangue e o crescimento de novos vasos saudáveis.

Importante: 
Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios.
As informações disponíveis em Dicas de Saúde possuem apenas caráter educativo.

Créditos:
 Site Oficial Dr. Drauzio Varella






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TRANSTORNO DISMÓRFICO CORPORAL
VIGOREXIA


Introdução


A adicção ou dependência ao exercício, também chamada de Vigorexia ou Overtraining, em inglês, é um transtorno no qual as pessoas realizam práticas esportivas de forma continua, com uma valorização praticamente religiosa (fanatismo) ou a tal ponto de exigir constantemente seu corpo sem importar com eventuais conseqüências ou contra-indicações, mesmo medicamente orientadas.
É bastante curioso observar como as patologias mentais ou, no mínimo, os sintomas mentais evoluem e se transformam ao longo do tempo ou entre as diversas culturas, mostrando-se sensíveis às mudanças sócio-culturais. Observa-se que a prevalência das Doenças Mentais está absolutamente associada a uma época determinada e a determinados valores culturais.
A Vigorexia está nascendo no seio de uma sociedade consumista, competitiva, frívola até certo ponto e onde o culto à imagem acaba adquirindo, praticamente, a categoria de religião. A Vigorexia e, em geral os Transtornos 



Alimentares exemplificam bem a influência sociocultural na incidência de alguns transtornos 


emocionais.


Com toda certeza, a Vigorexia é uma das mais recentes patologias emocionais estimuladas pela cultura, e nem foi ainda catalogada como doença específica pelos manuais de classificação (CID.10 e DSM.IV).
A Vigorexia, mais comum em homens, se caracteriza por uma preocupação excessiva em ficar forte a todo custo. Apesar dos portadores desses transtornos serem bastante musculosos, passam horas na academia malhando e ainda assim se consideram fracos, magros e até esqueléticos. Uma das observações psicológicas desses pacientes é que têm vergonha do próprio corpo, recorrendo assim aos exercícios excessivos e à fórmulas mágicas para acelerar o fortalecimento, como por exemplo os esteróides anabolizantes.
As pesquisas sobre dependência (ou adicção) a quaisquer coisas caminham, hoje em dia, através da Psiquiatria, da Psicologia Experimental e da Neurobiologia no sentido de se identificar elementos emocionais e biológicos que contribuem para alterar o equilíbrio do prazer (homeostasia hedonista), levando assim à dependência ou adicção. A palavra "adicção", em português, é um neologismo técnico que quer dizer, de fato, "drogadicção".
O termo Vigorexia, ou Síndrome de Adônis, foi primeiramente assim denominado pelo psiquiatra americano Harrisom G. Pope, da Faculdade de Medicina de Harvarde, Massachusetts. Os estudos de Pope foram publicados na revista Psychosomatic Medicine com a observação de que cerca de um milhão de norte-americanos entre os nove milhões adeptos à musculação podem estar acometidos pela patologia emocional. As duas rexias, Anorexia e Vigorexia foram consideradas por Pope como doenças ligadas à perda de controle de impulsos narcisistas.
Apesar de todas as características clínicas da Vigorexia, vários autores não a consideram uma nova doença ou uma entidade clínica própria mas sim, uma manifestação clínica de um quadro já amplamente descrito; o Transtorno Dismórfico Corporal. Essa manifestação clínica separada seria o chamado Transtorno Dismórfico Muscular (ou Vigorexia).

Vigorexia ou Síndrome de Adônis
A escravização que as pessoas das sociedades civilizadas se submetem aos padrões de beleza tem sido um dos fatores sócio-culturais associados ao incremento da incidência dos Transtornos Dismórficos, sejam Corporais (associados à Anorexia e Bulimia) ou Musculares (Vigorexia).
O habitual desejável ao ser humano moderno é estar moderadamente preocupado com seu corpo, sem que essa preocupação se converta numa obsessão. O ideal desejável e sadio não é o padrão imposto pelas revistas de beleza e pelos modelos publicitários mas sim, estar satisfeito consigo mesmo e aceitar-se como é. Mas quem, na adolescência não se sentiu complexado alguma vez, ao menos pelo tamanho de seu nariz? Quem não sofreu com a acne na puberdade?
Tais complexos acabam gerando insegurança social, podem agravar a introversão e timidez. A atitude mais habitual, apesar de inocente, é acreditar que a timidez e insegurança sociais seriam resolvidas caso a pessoa fosse bela, forte, um modelo de homem perfeito, um corpo escultural. Nasce aí a obsessão de beleza física e perfeição, os quais se convertem em autênticas doenças emocionais, acompanhadas de severa ansiedade, depressão, fobias, atitudes compulsivas e repetitivas (olhadas seguidas no espelho) e que conduzem ao chamado Transtorno Dismórfico Corporal.
O termo Dismorfia Corporal foi proposto em 1886 pelo italiano Morselli. Freud descreveu o caso do "Homem Lobo", uma pessoa que, apesar de ter um excesso de pelos no corpo, centrava sua excessiva preocupação na forma e tamanho de seu nariz. Ele o via horrível, proeminente e cheio de cicatrizes.
Embora exista um grande número de pessoas mais ou menos preocupadas com sua aparência, para ser diagnosticado Dismorfia, deve haver sofrimento significativo e uma reiterada obsessão com alguma parte do corpo que impeça uma vida normal. Quando esse quadro todo se fixa na questão muscular, havendo uma busca obsessiva para uma silhueta perfeita, o transtorno se chamará Vigorexia ou Transtorno Dismórfico Muscular.
A busca de um corpo perfeito e musculoso a qualquer preço começa, então, a ser tratada como uma patologia. A Vigorexia, ou Síndrome de Adônis, é um transtorno emocional assim denominado pelo psiquiatra americano Harrison G. Pope da Faculdade de Medicina de Harvard, Massachusetts (veja a entrevista com Pope em Notícias PsiqWeb).
Os estudos de Pope foram publicados na revista Psychosomatic Medicine, e constaram da observação de adictos à musculação, e comprovaram que entre mais de 9 milhões de norte-americanos que freqüentam regularmente academias de ginástica, cerca de um milhão poderia estar acometido por este transtorno emocional.
A Vigorexia, como vimos pode ser sinônimo de Dismorfia Muscular (ou Transtorno Dismórfico Muscular) e não é casualidade que o nome Vigorexia rime com Anorexia.
As duas doenças promovem a distorção da imagem que os pacientes têm sobre si mesmos: os anoréxicos nunca se acham suficientemente magros, os Vigoréxicos nunca se acham suficientemente musculosos. Ambas podem ser consideradas como "patologias do narcisismo". Alguns autores já estão atribuindo o aparecimento da Vigorexia à moda e à um estilo de vida tipo "vigilante da praia".
Não se trata, simplesmente, de fazer exercícios para receber o diagnóstico de Vigorexia. Os exercícios orientados, com indicação médica ou terapêutica, recreativos e/ou de condicionamento continuam sendo muito bem vindos na medicina e na psiquiatria.
Entretanto, as pessoas que treinam exaustivamente, não apenas para se sentirem bem, mas para ficarem estupendos e perfeitos, são sérios candidatos ao diagnóstico de Vigorexia. Normalmente essas pessoas estão dispostas a manter uma dieta rigorosa, a tomar fármacos e a treinar duro para conseguir seu objetivo. Elas perdem a noção de sua própria corporeidade e nunca param ou ficam satisfeitos.
Os sintomas da Vigorexia se evidenciam pela obsessão em tornar-se musculosos. Essas pessoas olham-se constantemente no espelho e, apesar de musculosos, podem ver-se enfraquecidos ou distantes de seus ideais. Sentirem-se assim "incompletos", faz com que eles invistam todas as horas possíveis em exercícios e ginásticas para aumentar sua musculatura.
Es difícil estabelecer limites entre um exercício saudável e um exercício obsessivo, mas é bom lembrar que os vigoréxicos, além da musculação continuada, comem de forma atípica e exagerada. Esses pacientes se pesam várias vezes por dia e fazem continuadas comparações com outros companheiros de academia. A doença vai derivando num quadro obsessivo-compulsivo, de tal forma que eles se sentem fracassados, abandonam suas atividades e se isolam em academias dia e noite.
Alguns anoréxicos podem chegar a ingerir mais de 4.500 calorias diárias (o normal para uma pessoa é 2.500), e sempre acompanhado por numerosos e perigosos complementos vitamínicos, hormonais e anabolizantes. Tudo isso é feito com o propósito de aumentar a massa muscular, mesmo tendo sido alertados quanto aos graves efeitos colaterais desse estilo de vida.
A Vigorexia deve ser considerada um transtorno da linhagem obsessivo-compulsiva, tanto pela obsessão em musculatura, pela compulsão aos exercícios e ingestão de substâncias que aumentam a massa muscular, quanto pela fragrante distorção do esquema corporal.
Todavia, apesar de ser clinicamente característica, a Vigorexia não está ainda incluída nas classificações tradicionais de transtornos mentais (CID.10 e DSM.IV), embora possa ser considerada uma espécie de Dismorfia Corporal, já que também é conhecida com o nome de Dismorfia Muscular.




Personalidade da Vigorexia
Podemos encontrar, entre portadores de Vigorexia, pessoas que só buscam a figura perfeita, influenciadas por modelos culturais atuais, ou esportistas que querem obsessivamente chegar a ser os melhores, exigindo insensatamente de seu organismo até sua meta ser alcançada. Recentemente temos visto também, entre os vigoréxicos, pessoas portadoras de personalidade introvertida, cuja timidez ou retraimento social favorecem uma busca do corpo perfeito como compensação aos sentimentos de inferioridade.
Estas pessoas possuem alguns traços característicos de personalidade, costumam ter baixa autoestima e muitas dificuldades para integrar-se socialmente, costumam ser introvertidas e podem, com freqüência, rejeitar ou aceitar com sofrimento a própria imagem corporal. Em alguns casos, a obsessão com o próprio corpo se parece muito com o mesmo fenômeno observado na anorexia nervosa.
O fisiculturismo é um dos esportes que mais comumente se relaciona com este tipo de transtorno, mas isso não significa que todos fisiculturistas tenham Vigorexia. Os vigoréxicos praticam seus esportes e ginásticas sem levar em conta ou sem se importarem com as condições climáticas, condições físicas limitadoras ou mesmo inadequações circunstanciais do dia-a-dia, chegando a sentirem-se incomodados ou culpados quando não podem realizar essas atividades.
Os critérios de diagnóstico para a Vigorexia ainda não estão claramente estabelecidos por tratar-se de um transtorno tornado freqüente mais recentemente, possivelmente depois da última edição do CID.10 e DSM.IV, portanto, ainda não reconhecido como um uma doença clássica e característica pelas classificações internacionais.


Conseqüências da Vigorexia
Uma das conseqüências da vigorexia ou overtraining, dizem respeito ao excesso de treinamento e às reações corporais que avisam, por assim dizer, que algo está errado. São reações semelhantes ao estresse tais como: insônia, falta de apetite, irritabilidade, desinteresse sexual, fraqueza, cansaço constante, dificuldade de concentração entre outras.
Além da obsessão com o corpo perfeito, a Vigorexia também produz uma importante mudança nos hábitos e atitudes dos pacientes, notadamente na questão alimentar. Até a mínima caloria ingerida será contabilizada e medida com máxima atenção, pois a beleza corporal dependerá disso. A vida do anoréxico gira em torno dos cuidados com seu corpo, sua dieta é minuciosamente regulada, eliminando-se totalmente as gorduras e, ao contrário, consumindo-se excessivamente as proteínas. Esse desequilíbrio alimentar acaba por sobrecarregar o fígado, obrigando-o a desempenhar um trabalho extra.
A Vigorexia causa problemas físicos e estéticos, como por exemplo, a desproporção displásica, também entre o corpo e cabeça, problemas ósseos e articulares devido ao peso excessivo, falta de agilidade e encurtamento de músculos e tendões.
A situação se agrava quando surge o consumo de esteróides e anabolizantes com o fim de conseguir "melhores resultados". O consumo destas sustâncias aumenta o risco de doenças cardiovasculares, lesões hepáticas, disfunções sexuais, diminuição do tamanho dos testículos e maior propensão ao câncer da próstata.
Emocionalmente, segundo estudos de Pope, a Vigorexia pode ter como conseqüência um quadro de Transtorno Obsessivo-conpulsivo, fazendo com que os pacientes se sintam fracassados e abandonem suas atividades sociais, inclusive de trabalho, com o propósito de treinar e exercitar-se sem descanso.
Costuma haver algum grau significativo de comprometimento social e/ou ocupacional nos pacientes portadores de Vigorexia, e sua qualidade de vida pode ser agravada ainda por procedimentos potencialmente iatrogênicos e onerosos, como tratamentos cirúrgicos e dermatológicos desnecessários.
Sintomas e Patologia da Vigorexia
Psiquiatricamente o quadro mais diretamente associado à Vigorexia é a chamada Dismorfia Muscular (ou Transtorno Dismórfico Muscular), uma patologia psíquica das pessoas excessivamente preocupadas com a própria aparência, constantemente insatisfeitas com seus músculos e continuadamente em obsessiva busca da perfeição.
O sintoma central parece ser uma distorção na percepção do próprio corpo e deste sintoma decorrem os demais, como por exemplo, a obsessão pelos exercícios e dietas especiais. Esse tipo de sintoma básico (percepção distorcida do próprio corpo) também é o sintoma principal dos transtornos alimentares.
Mangweth e cols, compararam 27 homens com diagnóstico de transtorno alimentar (sendo 17 com anorexia nervosa e 10 com bulimia nervosa), com 21 atletas masculinos e 21 homens normais não-atletas, usando um teste computadorizado da imagem do corpo, o "matrix somatomorphic". Quando era pedido para todos eles escolherem o corpo ideal que gostariam de ter, os homens com transtornos alimentares selecionaram uma imagem com a gordura de corpo muito próxima àquela escolhida pelos homens atletas e do grupo de controle.
Entretanto, havia grande diferença entre esses grupos quanto à percepção da imagem corporal, principalmente no tanto de gordura que a pessoa acredita ter. Os homens com transtornos alimentares se percebiam ser quase duas vezes mais gordos que realmente eram, e as pessoas do grupo controle não mostraram nenhuma tal distorção. Estes resultados foram muito semelhantes aos estudos realizados com mulheres portadoras de anorexia e bulimia, as quais também mostram uma percepção anormal da gordura corporal.
Há, nos vigoréxicos, uma inclinação patológica para o que se considera o protótipo do homem moderno, supostamente (e erroneamente, segundo pesquisa de Pope) desejável pelas mulheres. Há uma busca obsessiva em se tornar o modelo de homem, com um corpo fibroso, definido, musculoso, e devidamente glorificado pela televisão, pelo cinema, pelas revistas e passarelas de moda. A Vigorexia representa bem a sociedade onde "uma imagem vale mais que mil palavras", tornando os homens obcecados por seus corpos perfeitos.
A mesma preocupação e distorção com o esquema corporal constatado na Anorexia observa-se na Vigorexia. Na Anorexia as pacientes - geralmente mulher - acham-se ainda gordas, apensar de notavelmente magras e, na Vigorexia, acham-se fracas, apesar de notavelmente musculosas.
O problema é mais comum ter início na adolescência, período onde, naturalmente, as pessoas tendem a ser insatisfeitas com o próprio corpo e se submetem exageradamente aos ditames da cultura. Na adolescência existe uma pressão para as meninas se manterem magras e uma cobrança para que os meninos fiquem fortes e musculosos. A importância da identificação da Vigorexia precocemente, é no sentido de evitar que os adolescentes façam uso de drogas para obter os resultados desejados (ou fantasiados).
A Dismorfia Muscular é uma espécie de subdivisão de um quadro mais abrangente chamado de Transtorno Dismórfico Corporal, definido como uma preocupação com algum defeito imaginário na aparência física numa pessoa com aparência normal A Dismorfia Muscular seria uma alteração na percepção do esquema corporal, específica da estética muscular do corpo e não um defeito na percepção corporal imaginário qualquer. Os quadros mais comuns no Transtorno Dismórfico envolvem, principalmente, preocupações com defeitos faciais ou outras partes do corpo, cheiro corporal e aspectos da aparência. Quando diz respeito à visão distorcida e irreal da estética muscular falamos em Dismorfia Muscular.
O DSM.IV diz que a característica essencial do Transtorno Dismórfico Corporal (historicamente conhecido como Dismorfofobia) é uma preocupação com um defeito na aparência, sendo este defeito imaginado ou, se uma ligeira anomalia física está realmente presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva e desproporcional.

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Ortorexia

Quando a maioria das pessoas pensa em transtornos alimentares, imaginam raparigas esqueléticas que se matam à fome ou que forçam vómitos; estas são imagens típicas dos habituais tipos de transtornos alimentares, mas os especialistas descobriram agora que as pessoas estão a sofrer de outro tipo de transtorno alimentar e atribuíram-lhe um novo termo: ortorexia.

O que é a Ortorexia?
A ortorexia é um transtorno alimentar recentemente diagnosticado, que surge quando a pessoa se torna obsessiva quanto aos padrões daquilo que come. Ao contrário da anorexia ou bulimia, a pessoa permite-se comer, mas fica tão obcecada com o que come que todos os seus pensamentos ficam ocupados com a dieta.
Permitem-se apenas alimentos saudáveis e escrutinam o conteúdo nutricional de cada elemento que ingerem. Calorias, vitaminas e nutrientes tornam-se o ponto focal da comida e qualquer coisa que contenha o mínimo vestígio do que está na lista do “não é permitido” não é consumido.
Embora todos possamos beneficiar ao adoptar esta atitude de forma mais habitual, estes “mártires” levam a obsessão com o conteúdo dos seus alimentos ao extremo, e não se permitem, em circunstância alguma, um desvio do seu programa de tipos de alimentos autorizados.

Sinais de Ortorexia:
● Examina cada pormenor do que se encontra em cada alimento?
● Só se permite alimentos saudáveis?
● Consegue comer uma refeição preparada por outra pessoa?
● Observa e comenta a maneira como outras pessoas preparam a comida?
● Dá consigo a pensar em conteúdo nutricional durante o dia?
● Preocupa-se ao comer qualquer coisa que possa não ser “boa” para si?
● Perdeu muito peso recentemente sem seguir conscientemente uma dieta

Efeitos da Ortorexia
Os ortoréxicos podem ficar seriamente afectados e a comunicação em casa pode sofrer com isso. A pessoa pode começar a isolar-se dos seus semelhantes e tornar-se distante à medida que se vai fixando cada vez mais nas suas regras dietéticas.
Para alguns, a capacidade de desempenhar trabalhos ou de estudar pode começar a declinar, à medida que a sua mente se ocupa cada vez mais com a sua dieta e com os alimentos que são permitidos, como articulá-los no seu dia-a-dia, quantas vezes se devem mastigar e por aí fora. Há tantos factores que envolvem estes transtornos alimentares que os pensamentos podem ficar totalmente ocupados por eles, deixando pouco espaço para outros rumos de ideias e a concentração e a motivação acabam por ficar na retaguarda.

Obter ajuda e Tratamento
Como muitos transtornos alimentares, a ajuda de um profissional é normalmente requerida, assim como os tópicos envolvendo o desenvolvimento da desordem precisarão tanto de tratamento como o bem-estar nutricional da pessoa.
O seu médico poderá indicar-lhe onde encontrar ajuda especializada; outra alternativa será ligar para uma das muitas linhas de ajuda e falar com alguém altamente treinado e familiarizado com todos os diferentes assuntos referentes a transtornos alimentares.
Embora a doença não seja tão conhecida como outros tipos de transtorno alimentar, pode ter o potencial de ser igualmente séria para a saúde e está envolta de problemas semelhantes de controlo de comportamento em relação aos outros transtornos alimentares, e a pessoa irá precisar indubitavelmente de alguma intervenção profissional para ultrapassar o problema.



Fonte-http://www.alimentacaosaudavel.org

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Transtornos Alimentares (Bulimia)

A bulimia é um transtorno alimentar aonde as principais características são os episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios para evitar o ganho de peso. As pessoas que sofrem de bulimia vivem em um circulo vicioso de compulsão-purgação.

Na sua maioria os pacientes com bulimia estão dentro da faixa de peso normal, embora alguns possam estar com um peso levemente acima ou abaixo deste. Existem indicações de que antes do início do transtorno alimentar, os pacientes com bulimia estão mais propensos ao excesso de peso.

A bulimia apresenta uma prevalência no sexo feminino, 90 a 95%. A doença se manifesta mais tarde do que na anorexia, por volta dos 18 a 20 anos .
Os episódios de compulsão consistem no consumo de uma grande quantidade de alimentos freqüentemente ricos em calorias. Os tipos de alimentos variam mas geralmente são ricos em gordura e/ou açúcar.Os episódios de compulsão alimentar ocorrem em segredo, por isso raramente são presenciados por outras pessoas. Alguns deste episódios são previamente planejados, mas geralmente ocorrem de forma impulsiva. Entre os episódios compulsivos, os pacientes restringem seu consumo calórico total e selecionam preferencialmente alimentos com baixas calorias, evitando alimentos que percebem como "engordativos". O "gatilho" das compulsões na bulimia, pode incluir depressão, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, aborrecimentos, dietas restritivas e/ou prolongadas, e insatisfação e/ou distorção da imagem corporal.

A compulsão alimentar "camufla" temporariamente os sentimentos negativos, mas este estado é rapidamente seguido por sentimentos de culpa. A bulimica sente vergonha dos seus ataques de compulsão (binge), e entende seu comportamento como uma falta de controle, o que é uma das razões para a baixa auto-estima: "Existe alguma coisa "errada" comigo, sou "imperfeita", porque não consigo me controlar". É difícil para alguém que sinta desta forma procurar ajuda. Daí o prazo, e a demora de até dez anos, para que uma pessoa que sofra de bulimia busque ajuda.

Os comportamentos compensatórios são uma forma de "conter" os efeitos ( o aumento de peso) das crises de compulsão. O comportamento compensatório mais comum são os vômitos. Na bulimia os vômitos são provocados seguidamente os episódios de compulsão. Os vômitos auto-induzidos representam o comportamento compensatório mais comumente utilizado pelos pacientes que sofrem de bulimia.Os vômitos são provocados seguidamente aos episódios de compulsão. Alguns pacientes podem chegar a vomitar até 20 vezes por dia. Os vômitos se tornam tão "comuns" que pacientes se tornam capazes de vomitar quando querem.O ato de purgar reduz temporariamente o desconforto físico causado pela sensação de "estufamento" gástrico, alem de amenizar o medo de ganhar peso pelas crises compulsões. Algumas podem até mesmo ansiar pelo comportamento purgativo da mesma forma que apreciam a sensação de "libertação" que este comportamento temporariamente oferece. Outros comportamentos compensatórios utilizados para "prevenir" o ganho de peso são o uso abusivo de laxantes, diuréticos, dietas restritivas, jejuns, medicamentos e "formulas" anorexigênos, e a prática exagerada de exercícios. A "necessidade" de se exercitar chega a interferir de modo significativo nas atividades pessoais e profissionais da pessoa. O paciente pode dar preferência a pratica de atividade física em detrimento de encontros sociais e/ou profissionais.

As bulimicas semelhante as anoréxicas, estão envolvidas de forma obsessiva com a forma e peso dos seus corpos. Uma pessoa com bulimia poderá checar seu peso e forma de maneira obsessiva. Esta "checagem" pode se manifestar através de pesagens freqüentes (varias vezes ao dia), observação de si mesmas no espelho, e medição de varias partes do corpo com fitas métricas ou com as próprias mãos. Para as bulimicas, a auto estima esta diretamente vinculada ao seu peso e forma corporal.

As complicações medicas mais comuns da bulimia incluem arritmias cardíacas, sangramentos do esôfago, distúrbios eletrolíticos, problemas gastrintestinais e dentais. As complicações medicas da bulimia podem ser tão severas quanto as da anorexia. Da mesma forma que a anorexia, a bulimia pode levar a morte, se não tratada de maneira adequada.

histórico

Ao longo da história o significado da palavra bulimia tem seguido diferentes trajetórias.Brenda Parry-Jones em seu trabalho de revisão sobre a terminologia histórica dos transtornos alimentares refere que o termo "bulimia" remonta a antiga Grécia, a palavra derivaria do termo grego"bous", boi e "limos" , fome. Durante o período medieval e moderno tem servido para designar episódios de "voracidade insaciável", "mórbido", com um "apetite canino", como ou sem a presença de vômitos e acompanhado de outros sintomas.

Stunkard em 1990 realizou uma revisão histórica do conceito de bulimia, e destacou, como em 1743 James descreveu no Dicionário Médico da Universidade de Londres, um quadro clinico que denomina "True Boulimus" (verdadeira bulimia, em uma tradução livre), caracterizado por intensa preocupação com a comida, e pela ingestão voraz em um curto espaço de tempo, seguidos de períodos de jejum, e destacou uma segunda variante "Caninus Appetitus" aonde os episódios de voracidade são seguidos pelo comportamento compensatório de vomito.

Galeno descreveu a "Kinos orexia", ou fome canina como sinônimo de bulimia, considerando-a como conseqüência de um estado de animo anormal, posteriormente esta definição apareceu nos dicionários médicos dos séculos XVIII e XIX na forma de curiosidade médica.No século XIX Blanchez no Dicionário de Ciências Médicas de Paris (1869) também descreveu ambos os quadros.No final dos anos 70, foi descrita como a síndrome de atrações/purgações ou bulimarexia. A denominação bulimia apareceu pela primeira vez em 1980, finalmente em 1987 se adotou o tremo bulimia nervosa.

Vemos portanto que a bulimia não é um transtorno novo, já que aparece reconhecido há a séculos na literatura, mas até os finais dos anos 70 quando se diferencia como identidade psicológica independente. Russell em 1979 foi o primeiro a fazer uma descrição completa do quadro clinico, em estabelecer os primeiros critérios diagnósticos para este transtorno, e introduzir o termo "Bulimia Nervosa". Um ano mais tarde a American Psychiatric Association (APA) incluiu este transtorno no Manual Diagnóstico DSM-III(1980).

Russel em 1979 definiu 3 características fundamentais

- Os pacientes sofrem impulsos fortes e incontroláveis de comer em excesso

-Buscam evitar o aumento de peso, com vômitos e/ou abuso de laxantes ( ou outros medicamentos)

- Medo mórbido e engordar

Em 1983 Russel acrescentou outro critério diagnostico:

A exigência de um episódio anterior, manifesto ou critico de Anorexia Nervosa. Desde então se incluiu uma nova questão que continua sendo muito debatida na atualidade. A possível relação entre os diferentes distúrbios alimentares. Não é raro que um a paciente com anorexia nervosa evolucione, no futuro, para uma bulimia nervosa, existem autores que falam em um "continuum" entre ambos distúrbios. A partir deste momento, se promoveu amplamente a investigação dos distúrbios alimentares, o que permitiu uma melhor delimitação dos distintos quadros clínicos que hoje me dia são reconhecidos nas classificações atuais.

As pessoas que sofrem de bulimia se classificam em dois subtipos:

Purgativo:

Após o episodio de compulsão alimentar a pessoa provoca o vômito, ou abusa de laxantes e/ou diuréticos.

A ingestão de laxantes e diuréticos, contrariamente as opiniões amplamente divulgadas por quem faz uso deles com a finalidade de emagrecer, não impede em absoluto a absorção dos alimentos. O trato digestivo se acostuma progressivamente aos laxantes, e é necessário aumentar as doses cada vez mais, para poder obter os efeitos comparáveis aos anteriores. Este comportamento causa complicações físicas como retenção de água, edemas, e inclusive alterações no tubo digestivo. da mesma forma os diuréticos, tanto tomados sozinhos como associados aos laxantes, não exercem mais que um impacto mínimo e transitório sobre o peso corporal. Simplesmente favorecem a perda de água, e provocam a longo prazo, perturbações biológicas graves.

Os vômitos são um método muito freqüente entre os bulimicos. Não é utilizado sempre da mesma maneira: alguns vomitam varias vezes ao dia, praticamente depois de ingerir cada alimento, e outros só o utilizam em momentos de crise. Este "processo" é física e emocionalmente custoso, e pode provocar tanto a repetição das crises (na antiguidade os romanos conheciam bem esta técnica de provocar o vomito para poder continuar com suas "orgias" alimentares), quanto o aumento da sua intensidade (as vezes chega-se a comer uma quantidade maior de comida para facilitar o vomito). Inicialmente o vomito diminui as barreiras fisiológicas e psicológicas contra a compulsão. Alem disso, os vômitos, sobretudo se são crônicos, não impedem o organismo de absorver uma proporção considerável das calorias ingeridas. As conseqüências somáticas mais comuns dos vômitos são: desordens do tipo eletrolítico (desidratação, falta d de potássio, e alterações no ritmo cardíaco), hipertrofia das glândulas parótidas (causando "inchaço no rosto), caries dentarias (erosão do esmalte pelos ácidos gástricos), e esofagites (deglutição dolorosa).

Não Purgativo:

Após o episodio de compulsão a pessoa deixa de comer durante um tempo, podendo até permanecer em jejum por algum tempo, e/ou praticar exercícios físicos intensos.

As dietas (jejuns e/ou dietas restritivas), ou a idéia de eliminar para sempre certo tipo de alimento, que na idéia da pessoa engordam. são usados como métodos compensatórios. Dados demonstram que este tipo de dietas provocam o efeito "yo-yo" ( a perda de peso é seguida de um aumento importante no mesmo), e provocam um aumento de peso alongo prazo, juntamente com alterações endócrinas ("dismenorréia", menstruações difíceis e dolorosas).

Os medicamentos que diminuem o apetite, ou anorexigenos, contem em sua maioria anfetaminas, que, alem de produzir inapetência (falta de apetite), perturbam o sono, provocam agitação, dependência e numerosos efeitos secundários não desejados.

A prática de exercitar-se excessivamente pode ter conseqüências graves, em particular afetando as articulações e o sistema cardiovascular.

Todas estas tentativas de compensação são na realidade ilusórias e bastante perigosas, para resultados mínimos. Elas podem desencadear crises, mantendo um circulo vicioso entre domínio absoluto e perda de controle, e entre restrições e crises.


Os pacientes que se enquadram no subtipo purgativo geralmente apresentam mais sintomas depressivos e maior preocupação com a forma e o peso do que os pacientes do subtipo não purgativo

As bulimicas semelhante as anoréxicas, estão envolvidas de forma obsessiva com a forma e peso dos seus corpos. Uma pessoa com bulimia poderá checar seu peso e forma de maneira obsessiva. Esta "checagem" pode se manifestar através de pesagens freqüentes (varias vezes ao dia), observação de si mesmas no espelho, e medição de varias partes do corpo com fitas métricas ou com as próprias mãos. Para as bulimicas, a auto estima esta diretamente vinculada ao seu peso e forma corporal.

As complicações medicas mais comuns da bulimia incluem arritmias cardíacas, sangramentos do esôfago, distúrbios eletrolíticos, problemas gastrintestinais e dentais. As complicações medicas da bulimia podem ser tão severas quanto as da anorexia. Da mesma forma que a anorexia, a bulimia pode levar a morte, se não tratada de maneira adequada.

Sinais Físicos

Inchaço das glândulas parótidas (como se estivesse com caxumba). Devido aos vômitos provocados.

Amenorréia (falta de menstruação) pelo menos 3 ciclos

Queda de cabelo

Perda de dentes (devido ao acido dos vômitos)

Vômitos provocados (geralmente logo depois das refeições ou durante o banho). Ficar atento para aquelas que logo após se alimentarem vão ao banheiro.

O peso não está muito abaixo nem muito acima do normal, se bem que oscila com facilidade

Calos no dorso dos dedos, principalmente indicador.Essas calosidades são chamadas de sinal de Russsell, que as descreveu em 1979. (o uso constante dos dedos para provocar os vômitos provoca lesões devido ao atrito com os dentes)

Desmaios e fraqueza, devido ao uso de laxantes e diuréticos que provocam um desequilíbrio eletrolítico (perda de sais minerais como potássio).

Sinais Psicológicos e Comportamentais

Mudanças bruscas de humor (irritabilidade, agressividade, apatia .)

Aumento de interesse pela imagem e/ou peso.Grande obsessão pelo peso, constantemente se acham gordas e tem verdadeiro pânico de engordar .Por isso se preocupam excessivamente quando outras pessoas fazem algum comentário sobre seu aspecto físico.

Quando comem com amigos e familiares, se alimentam pouco e somente com alimentos de baixas calorias.

Aumento no controle do peso (se pesar constantemente e/ou se medir com a fita métrica)

Isolamento social e/ou familiar.

Os ataques de compulsão (binge) são “escondidos”, mas geralmente a pessoa deixa “sinais” como embalagens de chocolates, salgadinhos, etc... Escondidos no quarto em gavetas ou armários. Quando estão sozinhas se alimentam de todos os alimentos "proibidos", com isso os pais podem perceber que uma grande quantidade de alimentos "desaparece" de casa. Também podem gastar muito dinheiro com a alimentação fora da casa”.

Uso de laxantes e/ou diuréticos; muitas vezes também estão “escondidos” em bolsas, gavetas ou armários.

Comportamentos compensatórios como exercícios exagerados com a finalidade de perder peso, podem caminhar muitas horas ou não usar elevadores somente escadas.

Obsessão pela comida e ligação com a cozinha, constantemente fala sobre dietas e sobre a quantidade de calorias dos alimentos. Muitas vezes gosta de cozinhar para a família, pode colecionar receitas e gosta de controlar a comida que existe m casa, fazendo listas de compras, ou, comprando os alimentos.

Consideram que o aspecto físico tem muito valor como meio para conseguir êxito em qualquer área da sua vida

Podem apresentar uma preocupação excessiva com relação a organização e a ordem; intensificando assim as atividades relacionadas a limpeza da casa e/ou com estudos e trabalho.

Idas freqüentes ao banheiro logo após as refeições

Importante: A presença de um ou mais sinais não indica necessariamente que a pessoa sofra de algum tipo de distúrbio alimentar. Por isso não rotule antecipadamente.

Observe sua filha/o durante um tempo antes de tomar conclusões precipitadas. Caso não haja alterações no quadro, procure um profissional especializado; isto é muito importante já que um dos fatores que contribuem para a manutenção de um distúrbio alimentar é a heterogenia (má intervenção médica e/ou psicológica).

Transtornos Associados

Os pacientes com Bulimia Nervosa apresentam uma freqüência maior de sintomas depressivos (por ex., baixa auto-estima, insegurança) ou Transtornos do Humor (particularmente Distimia e Transtorno Depressivo Maior). Em muitas ou na maior parte dessas pessoas, o distúrbio do humor começa simultaneamente ou segue o desenvolvimento da Bulimia Nervosa, sendo que com freqüência atribuem sua perturbação do humor à Bulimia Nervosa. Também pode haver maior freqüência de sintomas de ansiedade ou Transtornos de Ansiedade.

Em cerca de um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias, particularmente envolvendo álcool e estimulantes.

Como se trata?

A abordagem multidisciplinar é a mais adequada no tratamento da bulimia nervosa, e inclui psicoterapia individual ou em grupo, farmacoterapia e abordagem nutricional em nível ambulatorial.

As técnicas cognitivo-comportamentais têm se mostrado eficazes.

As medicações antidepressivas também têm se mostrado eficazes no controle dos episódios bulímicos.

A abordagem nutricional visa estabelecer um hábito alimentar mais saudável, eliminando o ciclo "compulsão alimentar/purgação/jejum".







Fonte-http://enfermagem-sae.blogspot.com
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Transtorno alimentar (Anorexia)


O termo anorexia vem do grego, significando falta de apetite. O termo, na verdade , é errôneo, já que a falta de apetite é rara, pois o indivíduo muitas vezes sentem fome, mas procuram negá-la. A síndrome foi identificada como entidade clínica em 1868, por Gull e Lasígue, apesar de Ter sido descrita em 1694 por Richard Morton, que relatava um emagrecimento auto-induzido em decorrência de um medo mórbido de ganhar peso. As características essenciais da anorexia nervosa são: recusa do indivíduo de manter um peso corporal na faixa normal mínima associado à um temor intenso de ganhar peso. Esse distúrbio é caracterizado por distúrbios severos no comportamento alimentar, que merecem análise cuidadosa no que diz respeito aos aspectos e cuidados nutricionais.



A comunidade científica trata a (AN) como sintomas do inconsciente da cultura contemporânea. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e ou do tamanho do corpo. Parece ter tornado-se do senso comum que tais transtornos são muito mais predominantes nas sociedades industrializadas, nas quais há abundância de comida e onde, especialmente para as mulheres, é considerada atraente a pessoa que é magra. Contraditoriamente, “em algumas culturas, a percepção distorcida do corpo pode não ser proeminente, e a motivação expressa para a restrição alimentar poderia Ter um conteúdo diferente, como o desconforto espigástrico. A anorexia nervosa tem fatores psicológicos, biológicos e sociais.


Epidemiologia


A taxa de prevalência de indivíduos com Anorexia é de 1% e desses cerca de 90% dos casos de Anorexia Nervosa são em mulheres. Os casos acontecem com mais freqüência em classes sociais mais elevadas. Em 45% dos casos, a Anorexia acontece após uma dieta de emagrecimento. Em 40% acontece por competição, como por exemplo pessoas que sua profissão exige magreza como modelos e bailarinas. Nas últimas décadas, tem crescido o número de relatos em meninas pré- púberes e em homens. As idades mais comuns de início ocorre na adolescência, mas até 5% dos pacientes com Anorexia Nervosa tem início logo após os 20 anos.


Etiologia


Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa. Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade. Fatores biológicos: Incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neuro- transmissores cerebrais (disfunção cerebral ao nível do hipotálomo, que comandam os estímulos da fome, da sede e amadurecimento sexual) tais como a dopamina, a serotonina, noradrenalina e dos pepitídeos opióides. Vários trabalhos apontam para uma pré- disposição genética para o desenvolvimento da Anorexia. Estudos demonstram uma taxa se concordância muito maior em gêmeos monozigóticos em comparação com gêmeos dizigóticos (56% contra 5%). Parentes de primeiro graus de pacientes com Anorexia exibe um risco de aproximadamente 8 vezes maior de apresentar a doença do que a população geral. Fatores psicológicos: Muitas anoréxicas pertencem a famílias rígidas e fechadas sobre elas próprias, e geralmente tem um relacionamento patológico com a mãe. As anoréxicas são freqüentemente pessoas dependentes mas atuando de uma forma de perfeita independência, extremamente carente de afeto, quase obsessiva tendência para o perfeccionismo intelectual, que as leva quase incurável racionalização. Há como que uma recusa inconsciente de crescer, tentando conservar as formas de infância. A tentativa de controle do corpo surge assim como uma forma inconsciente de compensação de um sentimento generalizado de incapacidade, de dependência e de dificuldade de autonomia. Fatores socioculturais: Os aspectos socioculturais dos transtornos alimentares têm sido amplamente estudados e já foram objeto de inúmeros trabalhos médicos, antropológicos, sociológicos e históricos. O interesse pelo tema decorre de observações, encontradas já nas primeiras descrições contemporâneas destes transtornos, de que a extrema valorização da magreza nas sociedades ocidentais desenvolvidas estaria fortemente associada à ocorrência de anorexia nervosa. Os dados revelam também que anorexia nervosa pareça ser mais prevalente em países ocidentais e são claramente mais freqüentes entre as mulheres jovens, especialmente aquelas pertencentes aos estratos sociais mais elevados destas sociedades, o que fortalece sua conexão com fatores socioculturais.


A pressão cultural para emagrecer é considerada um elemento fundamental da etiologia dos transtornos alimentares, que interage com fatores biológicos, psicológicos e familiares para gerar a preocupação excessiva com o corpo e o pavor doentio de engordar, característicos da anorexia nervosa. A influência dos aspectos socioculturais é marcante. Os transtornos alimentares, na forma como se apresentam hoje em dia, emergem das pesquisas epidemiológicas como doenças relativamente modernas e predominantemente ocidentais. Segundo DiNicola (1990), a concepção de um modelo de compreensão dos transtornos alimentares que explique os dados sobre sua ocorrência e distribuição deve incluir necessariamente a abordagem do contexto sociocultural onde ocorrem. Nas sociedades afluentes, ao mesmo tempo em que observamos uma oferta abundante de alimentos de alto teor calórico e de rápido consumo, e a vida cotidiana se torna cada vez mais sedentária, as modelos e atrizes de sucesso, representantes dos padrões ideais de beleza feminina, são extremamente magras e muitas vezes apresentam um corpo de pré- adolescente, com formas pouco definidas. Assim, as sociedades ocidentais contemporâneas vivem atualmente sob o ideal da magreza e da boa forma física. Este padrão se impõe especialmente para asa mulheres, nas quais a aparência física representa uma importante medida de valor pessoal. Proliferam novas e miraculosas dietas para emagrecimento. Apesar na falta de informação com sólida base empírica e das limitações metodológicas de algumas pesquisas sobre transtornos alimentares em países não europeus ou norte-americanos, a descrição crescente da ocorrência da anorexia nervosa em outras sociedades tem oferecido dados para a argumentação contrária à visão dos transtornos alimentares como síndrome restrita à cultura ocidental. O processo de aculturação parece também ter alguma influência na ocorrência dos transtornos alimentares entre imigrantes residindo em países ocidentais de primeiro mundo e nas minorias étnicas destes países. Segundo autores, a razão para este aumento se deve a melhores métodos de detecção de caso, maior acesso ao sistema de saúde, mudanças nos padrões sócio-econômicos e mais ampla adoção do padrão de magreza.


Quais as teorias psicológicas que tentam explicar o que acontece com alguém com transtorno alimentar?


As teorias psicológicas tentam discutir e compreender como se dá a relação do ser humano com o alimento e a forma corporal, bem como de que forma isso poderia se relacionar com o modo pelo as anoréxicas pensam, sentem e se comportam. De modo bem simples, poderíamos destacar a visão psicanalítica e a visão cognitivista a respeito dos transtornos alimentares, porque são as formas de psicoterapia maios utilizadas no tratamento individual ou em grupo dessas pacientes. A visão psicanalítica se formou, a partir dos estudos e teorias de Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, no início de século. Entre outras idéias, formulou que a causa da maioria dos problemas e sofrimentos psicológicos são conflitos, em geral entre os desejos do próprio indivíduo e os limites do ambiente e da sociedade. Anoréxicas e bulímicas passam, ao longo da vida, por diversas experiências de conflito e sofrimento psíquico, seja em aceitar a si próprias e às suas necessidades básicas (por exemplo, a de precisar de alimento), seja em relação às expectativas de outras pessoas, as quais buscam atender ( por exemplo, familiares). Contudo, para explicar por que problemas emocionais vão se refletir na alimentação, é preciso recordar outra das teorias de Freud, a respeito do desenvolvimento afetivos e sexual, que se inicia na infância. Ele dividiu em diversas etapas ou fases este desenvolvimento, no qual a criança vai descobrindo, em si mesma, fontes de sentimentos prazerosos e desprazerosos.


A primeira dessas etapas é justamente a chamada fase oral, na qual a criança, a partir do contato com o seio materno, associa a obtenção de alimento com o contato afetivo e o prazer. Obviamente, outros estudiosos modificam e ampliaram essas teorias. AO se entrar em contato com uma paciente anoréxica ou bulímica, percebe-se que o mais importante é que ela descubra qual é o significado (muitas vezes inconsciente e desconhecido para ela) do seu sintoma e como isso pode ser integrado e vivido de forma menos angustiante. A visão cognitivista se baseia em uma outra teoria, a de que as cognições ou idéias do indivíduo influenciam a sua afetividade. No caso da Anorexia Nervosa e da bulimia nervosa, pessoas com esses tipos de problema teriam originalmente experiências que as fizeram pensar que somente se sentiriam melhor ou mais valorizadas se tivessem determinada aparência, não fossem obesas e para tanto tivessem que praticar dietas e comportamentos purgativos. Ademais, teriam erros de raciocínio ou “distorções cognitivas” que justificariam continuar mantendo esses comportamentos, como, por exemplo, “sou magra e estou bem”, “aquela comida vai me engordar, por isso nunca mais vou comê-la”, sem argumentos lógicos que justifiquem tais idéias.


Diagnósticos e características clínicas


O aparecimento da Anorexia Nervosa ocorre entre os 10 e 30 anos de idade.


Os pacientes fora desta faixa etária não representam casos típicos e, portanto, seus diagnósticos devem ser questionados. Após os 13 anos de idade, a freqüência do aparecimento da condição aumenta rapidamente, sendo máxima aos 17 ou 18 anos de idade. Em cerca de 85% de todos os pacientes com Anorexia Nervosa o surgimento da doença dá- se entre os 13 e 20 anos, alguns, antes dos 10 anos, eram “enjoados” para comer ou tinham freqüentes problemas digestivos. Os critérios de diagnóstico do DSM-IV para Anorexia Nervosa são estes: Recusas a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado a idade e a altura (por exemplo, perda de peso e levando a manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; o fracasso é inteiro ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado). Medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, mesmo estando com peso abaixo do normal. Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influencia indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto- avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual. Nas mulheres pós- menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos 3 ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tenha amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônio, por exemplo estrógeno).


Características físicas:


Os pacientes geralmente chegam ao médico quando a perda de peso se torna aparente, o peso cai assustadoramente. Anoréxicas com 42 kg são consideradas de peso bom. Freqüentemente o peso chega a 36, 32, 28 kg ou menos. A medida que a perda ponderal se aprofunda aparecem sinais físicos como hipotermia (temperatura abaixo de 35 C), edema (inchaço), bradicardia (coração bate mais lentamente), hipotensão (pressão arterial abaixo do normal), lanugo (pelos finos que recobrem a pele do rosto e outras partes do corpo), pele seca, intolerância ao frio, queda de cabelo, olhos fundos, envelhecimento precoce e outras alterações metabólicas. Algumas pacientes chegam a atenção médica por causa da amenorréia que freqüentemente aparece antes de sua perda de peso ser perceptível. Outras complicações médicas desse transtorno alimentar serão citadas logo abaixo:


Relacionadas a perda de peso:


Caquexia: Perda de gordura, massa muscular, metabolismo tireoídeo reduzido, dificuldades para manter a temperatura corporal básica. Cardíaca: Perda do músculo cardíaco, coração pequeno, arritmia cardíaca, parada cardíaca. Digestivos gastrintestinais: Inchação, constipação (queixas de intestino preso), dor abdominal . Reprodutivas: Baixos níveis de hormônios luteinizante (LH) e hormônio folículo- estimulante (FSH). Hematológicas: leucopenia (diminuição do número de leucócitos: diminuição da defesa do organismo a infecções). Neuropsiquiátricas: Sentido de paladar anormal Esqueléticas: Osteoporose (Conseqüência do baixo consumo e absorção de cálcio). Endócrinas: Hipotireoidismo


Relacionadas a purgação (vômitos e uso de laxantes)


Digestivas- gastrintestinais: Inflamação e aumento das glândulas salivares e pancreáticas e aumento da amilase sérica, erosão esofágica e gástrica. Dentárias: Erosão do esmalte dentário Neuropsiquiátricas: Convulsões, fadiga e fraqueza.


Características psicológicas:


Surgimento da doença dá-se entre os 13 e 20 anos. Meninas inteligentes, bonitas, perfeccionistas e espertas. Existe uma preocupação em comer em público. Enquanto fazem uma refeição tentam livrar-se do alimento colocando-o no guardanapo ou escondendo-o nos bolsos. Cortam a carne em pedaços muito pequenos e levam muito tempo mexendo com a comida no prato. Sentimento de inutilidade Pensamento inflexível Isolamento social (até mesmo namoro) Expressão emocional demasiadamente refreadas Sua auto- estima está associada ao grau de sua forma e peso corporais A perda de peso é vista como uma conquista, é um sinal de auto- disciplina E o ganho de peso é visto como um fracasso Os indivíduos com estes transtornos até reconhecem que estão magros, mas negam as implicações de seu estado de desnutrição, ou até mesmo a morte. A indução de vômitos, onde uma simples escova de dentes ou cabo de uma colher se tornam ótimos instrumentos para induzir o vômito (se não vomitarem se sentem sujas). Abuso de laxantes e diuréticos que conduzem ao mórbido emagrecimento desejado. Irritabilidade (pouco conversam) Agressividade Choro Adoram cozinhar e servir comida para os outros, mas elas mesmas fazem exercícios físicos exageradamente Acham que o tratamento é totalmente desnecessário


Transtornos mentais associados:


Transtornos depressivos tais como: humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por sexo. Esses pacientes podem ter um quadro clínico e sintomático que satisfaz os critérios para um transtorno depressivo maior. Estes sintomas de perturbação de humor deve portanto ser reavaliados após uma reavaliação completa ou parcial do peso. A depressão também é muito freqüente entre indivíduos com AN. Transtornos Obsessivos Compulsivos: Pessoas com TOC sente-se aprisionadas por pensamentos e comportamentos que se repetem e que o próprio indivíduo considera absurdos, desagradáveis e impossíveis de fazer cessar. Quando os indivíduos com AN apresentam obsessões e compulsões não relacionadas a alimentos, forma corporal ou peso, podem haver um diagnóstico conjunto e concomitante de transtornos obsessivo compulsivo que são relacionados quando não são relacionados com comida.

Tratamento

O tratamento da anorexia continua sendo difícil. Não há medicamentos específicos que restabeleçam a correta percepção da imagem corporal ou desejo de perder peso. Por enquanto as medicações têm sido paliativos. As mais recomendadas são os antidepressivos tricíclicos (possuem como efeito colateral o ganho de peso). Os antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina têm sido estudados mas devem ser usados com cuidado uma vez que podem contribuir com a redução do apetite. É bom ressaltar que os pacientes com anorexia têm o apetite normal, ou seja, sentem a mesma fome que qualquer pessoa. O problema é que apesar da fome se recusam a comer. As psicoterapias podem e devem ser usadas, tanto individuais como em grupo ou em família.A indicação dependerá do profissional responsável. Por enquanto não há uma técnica especialmente eficaz. Forçar a alimentação não deve ser feita de forma rotineira. Só quando o nível de desnutrição é ameaçador. Forçar alimentação significa internar o paciente e fornecer alimentos líquidos através de sonda naso-gástrica. Geralmente quando se chega a isso torna-se necessário também conter (amarrar) o paciente no leito para que ele não retire a sonda.









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